Inteligência Artificial
OpenAI testa recurso de memória visual no ChatGPT e evita repetir erros do Recall da Microsoft
Redação Byte Pulso · 15 de ago.
A OpenAI está desenvolvendo uma funcionalidade batizada de Computer History para o ChatGPT, que promete registrar o histórico de atividades realizadas no computador do usuário. Segundo as informações disponíveis, o objetivo da empresa é justamente contornar as falhas que fizeram a Microsoft adiar repetidas vezes o lançamento do Windows Recall, recurso semelhante anunciado para o Windows 11. Não há, até o momento, detalhes técnicos sobre como o Computer History vai capturar ou armazenar esses dados, nem uma data oficial de disponibilização ampla do recurso.
O caso chama atenção porque o Recall, apresentado pela Microsoft como um dos grandes destaques de IA do Windows 11, virou um exemplo de como recursos que tiram capturas de tela constantes da atividade do usuário podem gerar desconfiança generalizada. A ferramenta prometia usar inteligência artificial para deixar o usuário “pesquisar o passado” em seu próprio PC, mas pesquisadores de segurança apontaram falhas graves na forma como as informações eram armazenadas, o que resultou em adiamentos sucessivos e uma reformulação completa antes mesmo do lançamento público. Para o público brasileiro, que já convive com um número crescente de assistentes de IA embutidos em sistemas operacionais e navegadores, esse histórico serve como termômetro: recursos que monitoram continuamente a tela tendem a esbarrar em desconfiança sobre privacidade, principalmente num momento em que a LGPD e discussões sobre proteção de dados ganham cada vez mais peso no debate público. A movimentação da OpenAI também reforça uma tendência do setor: gigantes de tecnologia estão em uma corrida para transformar assistentes de IA em companheiros que “conhecem” o usuário a fundo, indo além de responder perguntas pontuais e passando a atuar como uma camada de memória sobre o uso do computador.
Do ponto de vista editorial, a escolha da OpenAI de citar publicamente o fiasco do Recall como referência a ser evitada é reveladora. Mostra que a empresa está ciente de que o maior obstáculo para esse tipo de funcionalidade não é técnico, mas sim de confiança: convencer o usuário de que um histórico detalhado de atividades no PC não vai virar um risco de vazamento ou vigilância. Se o Computer History conseguir equilibrar utilidade e segurança, pode se tornar um diferencial competitivo importante para o ChatGPT frente a assistentes rivais, como o Copilot da própria Microsoft e o Gemini do Google, que também caminham na direção de integrar IA mais profundamente ao sistema operacional. Por outro lado, qualquer tropeço nesse quesito tende a ser ainda mais custoso para a OpenAI, já que a empresa não controla o sistema operacional em si — depende da confiança do usuário para conceder acesso a esse nível de dados sensíveis. Para o mercado brasileiro de tecnologia, o episódio reforça um ponto que vem se repetindo: a corrida por IA cada vez mais integrada ao cotidiano digital só vai avançar de forma sustentável se vier acompanhada de transparência real sobre coleta e uso de dados, algo que consumidores e reguladores locais vêm cobrando com mais intensidade a cada novo lançamento desse tipo.
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