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Meta revela projeto de cabo submarino de altíssima velocidade para ligar EUA e França até 2029

Redação Byte Pulso · há 53 min

Fonte: Tecnoblog
A Meta divulgou detalhes de um novo sistema de cabo submarino batizado de Petal, projetado para alcançar uma capacidade de transmissão de 1 petabit por segundo. O cabo vai interligar os Estados Unidos à França e se apoia em uma tecnologia de fibra óptica multicore aplicada em uma escala que a empresa descreve como inédita no setor. Segundo as informações divulgadas, a operação do sistema está prevista para começar em 2029. A notícia chama atenção porque cabos submarinos são a espinha dorsal invisível da internet: mais de 95% do tráfego internacional de dados do planeta passa por esses cabos, não por satélites, como muita gente imagina. Para o leitor brasileiro, esse tipo de infraestrutura tem relação direta com a qualidade e o custo da conexão internacional, já que o Brasil também depende de rotas submarinas para acessar serviços hospedados nos Estados Unidos e na Europa, incluindo boa parte dos servidores que sustentam aplicações de inteligência artificial. Empresas como Google, Amazon e Microsoft já investem há anos em cabos próprios ou parcerias para garantir mais controle sobre a própria infraestrutura de rede, reduzindo dependência de operadoras de telecomunicações tradicionais. A entrada mais agressiva da Meta nesse tipo de projeto segue essa mesma lógica: gigantes de tecnologia que antes só consumiam capacidade de rede agora querem ser donas da tubulação por onde os dados trafegam. Isso se torna ainda mais relevante em um momento em que o consumo de dados dispara por causa do treinamento de modelos de IA, da transmissão de vídeo em alta definição e da expansão de serviços em nuvem, todos processos que exigem volumes de transferência de dados muito maiores do que a internet tradicional demandava há uma década. Do ponto de vista editorial, o anúncio do Petal reforça uma tendência que já vinha se desenhando: as chamadas big techs deixaram de ser apenas desenvolvedoras de software e passaram a atuar como construtoras de infraestrutura física global, dos data centers aos cabos que atravessam o oceano. Isso concentra ainda mais poder nas mãos de poucas empresas, que passam a controlar não só os aplicativos que usamos, mas também os canais físicos por onde a informação circula entre continentes. Para a Meta, especificamente, esse tipo de investimento sinaliza uma aposta de longuíssimo prazo: um projeto com entrega prevista somente para 2029 mostra que a empresa está pensando na demanda futura por dados, provavelmente puxada pelo crescimento de seus próprios produtos de inteligência artificial e realidade aumentada, que exigem transmissão constante e massiva de informação entre data centers espalhados pelo mundo. Para o mercado de tecnologia como um todo, é mais um indício de que a corrida por infraestrutura vai continuar acelerada nos próximos anos, com empresas disputando não apenas modelos de IA mais avançados, mas também a capacidade física de sustentar esses modelos em escala global. Ainda que o cabo Petal conecte diretamente apenas Estados Unidos e França, o efeito de uma rede internacional mais robusta tende a se espalhar indiretamente para outras regiões, incluindo a América Latina, à medida que o tráfego global se torna mais fluido e menos congestionado. Fica o alerta, porém, de que esse tipo de movimento também aprofunda a dependência do mundo em relação a um punhado de corporações americanas, o que deve manter no radar discussões sobre soberania digital, especialmente em países como o Brasil, que segue buscando ampliar sua própria infraestrutura de conectividade internacional para não ficar refém exclusivamente de rotas controladas por empresas estrangeiras.
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