Inteligência Artificial

Estudo do Google revela que maioria dos profissionais ainda usa IA de forma pontual no trabalho

Redação Byte Pulso · há 2h

Fonte: Tecnoblog
Uma pesquisa conduzida pelo próprio Google sobre a utilização do Gemini em ambientes corporativos identificou que apenas 3% das interações com a ferramenta estão relacionadas a processos de automação em larga escala. Segundo o levantamento, a maior parte dos profissionais recorre à inteligência artificial para tarefas pontuais e de baixa complexidade, em vez de aplicá-la para reestruturar fluxos de trabalho inteiros. O próprio estudo classifica esse padrão de uso como superficial, indicando que o potencial mais transformador da tecnologia ainda está longe de ser plenamente explorado pelos usuários corporativos. Esse dado chama atenção porque contraria parte do discurso de marketing que cerca o lançamento de assistentes de IA generativa, sempre apresentados como capazes de revolucionar a produtividade e substituir etapas inteiras de processos administrativos. No Brasil, onde a adoção de ferramentas como Gemini, ChatGPT e Copilot tem crescido rapidamente em empresas de diversos portes, a pesquisa serve como um alerta importante: grande parte do público ainda trata essas plataformas como buscadores aprimorados ou assistentes de redação, sem explorar recursos mais avançados de integração com planilhas, sistemas internos ou fluxos automatizados. Esse comportamento é semelhante ao observado em outras tecnologias emergentes, que costumam levar anos entre o lançamento e a adoção madura por parte do mercado corporativo — foi assim com a nuvem, com ferramentas de automação de marketing e, agora, parece se repetir com a IA generativa. A constatação também expõe um desafio estratégico para o próprio Google. Se a empresa investe pesado em infraestrutura, modelos cada vez mais sofisticados e integração do Gemini em produtos como Workspace, Android e buscas, mas a maioria dos usuários ainda emprega a ferramenta de forma limitada, o retorno sobre esse investimento tende a demorar mais para se materializar em ganhos de produtividade mensuráveis — tanto para as empresas clientes quanto para o próprio Google em termos de retenção e diferenciação competitiva. Não à toa, gigantes de tecnologia têm concentrado esforços recentes em simplificar a experiência de uso e criar atalhos que incentivem tarefas mais automatizadas, como assistentes que sugerem ações complexas sem que o usuário precise pedir explicitamente. Do ponto de vista editorial, esse dado do Google funciona como um contraponto valioso ao otimismo apressado sobre a chamada revolução da IA no trabalho. Por mais que os modelos estejam cada vez mais capazes tecnicamente, a adoção real depende de fatores humanos e organizacionais: treinamento das equipes, confiança no resultado da automação, redesenho de processos internos e, muitas vezes, resistência cultural a delegar decisões a um sistema automatizado. Para o consumidor brasileiro e para empresas que avaliam investir em licenças corporativas de IA, o levantamento reforça que a ferramenta, por si só, não gera transformação — é necessário um esforço deliberado de capacitação e reorganização de fluxos para que o uso avançado se torne padrão, e não exceção. Há também um ângulo interessante para o próprio setor de tecnologia: dados como esse tendem a pressionar fornecedores de IA a repensar suas interfaces e casos de uso padrão, tornando a automação mais acessível e menos dependente de conhecimento técnico do usuário. Se apenas uma fração mínima dos usos hoje envolve automação robusta, existe um espaço enorme de crescimento — tanto para o Google ampliar a adoção do Gemini quanto para concorrentes capturarem esse público que ainda não descobriu o valor mais profundo da IA generativa no dia a dia profissional. Resta saber se essa lacuna será preenchida por meio de melhorias técnicas, campanhas educativas ou simplesmente pelo amadurecimento natural do mercado ao longo dos próximos anos, à medida que mais empresas brasileiras integrem esses assistentes de forma mais estratégica em seus processos internos.
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