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Chrome corta suporte a extensões antigas e tira de cena a versão clássica do uBlock Origin

Redação Byte Pulso · há 6 dias

Fonte: Tecnoblog
O Google confirmou que a Chrome Web Store deixou de aceitar extensões construídas sobre o Manifest V2, formato técnico que sustentava o funcionamento do uBlock Origin em sua versão clássica, uma das ferramentas de bloqueio de anúncios mais usadas do mundo. Com essa mudança, o navegador passa a exigir que todas as extensões sigam o novo padrão Manifest V3, o que torna inviável manter a versão tradicional do bloqueador disponível para os usuários do Chrome. Esse é o único dado confirmado pela fonte: a atualização de política da loja de extensões e sua consequência direta sobre o uBlock Origin clássico. A discussão sobre o fim do Manifest V2 não é nova e já se arrasta há alguns anos, sendo alvo de críticas constantes de desenvolvedores e defensores de privacidade. O novo formato impõe limites técnicos à forma como as extensões podem interceptar e filtrar solicitações de rede, justamente o mecanismo que bloqueadores de anúncios mais robustos utilizam para funcionar com eficiência. Para o público brasileiro, que tem no Chrome o navegador mais usado do país — tanto em desktops quanto em versões mobile baseadas em Chromium —, a mudança tem impacto direto: milhões de pessoas que instalaram o uBlock Origin para navegar sem anúncios invasivos, rastreadores e scripts maliciosos precisarão migrar para uma versão adaptada ao Manifest V3 ou buscar alternativas em outros navegadores, como Firefox, Brave ou Edge, que mantêm suporte mais flexível a esse tipo de extensão. O movimento do Google se encaixa em uma tendência mais ampla do setor de tecnologia: a padronização de regras dentro de ecossistemas fechados, sob a justificativa de segurança e desempenho, mas que na prática também favorece o modelo de negócios da própria empresa, cuja receita depende fortemente de publicidade digital. Não é a primeira vez que gigantes de tecnologia usam atualizações técnicas para remodelar o comportamento de usuários e desenvolvedores — vimos situações parecidas em mudanças de políticas de rastreamento no iOS e em ajustes de algoritmos de redes sociais que afetam diretamente ferramentas de terceiros. No caso do Chrome, a diferença é que o navegador é ao mesmo tempo o principal canal de acesso à web para bilhões de pessoas e um produto da empresa que mais lucra com anúncios online, o que naturalmente gera desconfiança sobre a real motivação por trás da limitação técnica imposta às extensões de bloqueio. Para o leitor que só quer navegar sem ser bombardeado por anúncios, a mudança representa um incômodo prático: será preciso reconfigurar ferramentas, testar alternativas compatíveis com Manifest V3 (que existem, mas segundo desenvolvedores da comunidade tendem a ser menos eficientes que a versão clássica) ou migrar de navegador — uma barreira que a maioria dos usuários comuns dificilmente vai transpor, permanecendo no Chrome mesmo com bloqueadores mais limitados. Essa inércia é, aliás, um dos pontos mais relevantes da história: o Google não precisa proibir diretamente os bloqueadores de anúncios, basta tornar tecnicamente mais difícil que eles funcionem tão bem quanto antes, sabendo que a base de usuários dificilmente vai abandonar o navegador dominante por esse motivo. A leitura editorial que fica é que esse episódio evidencia um conflito estrutural do mercado de navegadores: a empresa que controla o Chrome é a mesma que vende publicidade digital, e qualquer decisão técnica sobre extensões carrega, inevitavelmente, um componente de interesse comercial. Para o ecossistema brasileiro de tecnologia, isso reforça a importância de diversificar o uso de navegadores baseados em outros motores ou com políticas mais abertas para extensões de privacidade, além de acompanhar de perto como desenvolvedores de bloqueadores vão se adaptar — ou não — ao novo padrão. Também é um recado sobre poder de mercado: quando uma única empresa controla o navegador mais usado do mundo e o maior mercado de anúncios digitais, mudanças aparentemente técnicas podem redesenhar silenciosamente a experiência de navegação de milhões de pessoas, sem que exista uma alternativa de peso capaz de pressionar por mudanças de rumo no curto prazo.
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